quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O país sem pontas


João Turista era um grande viajante. Viajando, viajando, chegou um dia a um país em que as esquinas eram redondas e os telhados não terminavam em ponta, mas em suaves curvas. Ao longo da rua, havia um belo canteiro de roseiras, e João decidiu pegar uma rosa para colocar no bolso de sua camisa. Enquanto tentava pegar a rosa descobriu que os espinhos não machucavam, pois não tinham ponta, pareciam de borracha e faziam cócegas na mão.
- Que coisa estranha! - disse João em voz alta.

Nisso, apareceu um guarda, sorridente, do outro lado do canteiro:
- Não sabe que é proibido cortar rosas?
- Desculpe, não sabia.
- Então pagará apenas meia multa - disse o guarda, sempre sorridente.

João observou que o guarda escrevia a multa com um lápis sem ponta.
- Que tipo de país é este? - perguntou João.
- É o País sem Pontas - explicou o guarda, cheio de amabilidade - e agora, por favor, dê-me duas bofetadas.
- De jeito nenhum! - disse João espantado.
- Não quero ser preso por atentado contra a autoridade.
- Aqui é feito assim - explicou amavelmente o guarda. - Uma multa inteira, quatro bofetadas, meia multa, duas.
- Bofetadas ao guarda? Isso não é justo! É terrível!
- Concordo! - disse o policial. - É algo tão odioso que a gente pensa muito antes de fazer alguma coisa contra a lei.
- É que eu não quero nem sequer soprar-lhe no rosto. Em vez de duas bofetadas, vou fazer-lhe uma carícia!
- Nesse caso - concluiu o policial, - terei que acompanhá-lo até a fronteira.

João, humilhadíssimo, foi obrigado a abandonar o País sem Pontas. Mas, ainda hoje, sonha com poder regressar um dia, para viver de uma maneira mais cortês, numa bela casa sem ponta.

(Gianni RodariI)

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Perguntas para reflexão:

Quem é o guarda?
O que são as bofetadas?
Que país é este?

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