quinta-feira, 10 de junho de 2010

Apoio ao Catequista - Abraão, pai do monoteísmo, pai da fé

Todos nós catequistas, com alguns anos de caminhada, estamos cansados de ouvir e contar a história de Abraão, e quando ouvimos falar de Abraão, Moisés, entre outros, já pensamos..., de novo?

Ouvi em uma recente formação, a opinião de um grupo que afirmava o tema influi no interesse dos catequizandos e ou catequistas. Prontamente discordei, pois se olharmos a bíblia superficialmente, realmente não há nada de novo nessas histórias, mas se buscarmos compreender o gênero literário, a mensagem por detrás da escrita, a teologia nessas passagens, descobrimos mensagens e belezas ocultas aos olhos da grande maioria do leitores, mas que felizmente pode ser observada se pesquisada com carinho e fontes confiáveis.

Nosso olhar deve ir além, sempre além, buscando com suavidade entender a beleza e as atitudes e intenções, do narrador e do autor diretamente envolvido na história.

Hoje vamos falar de Abraão, um homem que saiu de sua terra, teve um filho com uma mulher estéril, quase matou seu filho a mando de Deus e por fim construiu uma grande nação.

A história deixa claro que Abraão foi um grande homem, mas será que temos a dimensão de tudo que ele fez ou foi?

Abraão é considerado o pai do monoteísmo, pois antes dele não existia propriamente uma nação que acreditava em um único Deus.

A história começa com Deus pedindo para Abraão deixar a sua casa e ir rumo a uma nova terra.

"Iahweh disse a Abraão: Sai de tua terra, de tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que mostrarei. eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; se uma benção." Gn 12,1-2

A princípio a missão é otimista, cheia de bençãos e grandezas. Mas mesmo assim exigia uma coragem e uma confiança que vai além da capacidade de muitos homens.

Temos que começar entendendo a ordem "Sai", dita por Deus. Deus tinha uma intenção bem clara em não fazer Abraão grande em sua terra natal.

Para isso temos que entender um pouco o que se passava naquela terra.

Abraão morava em meio a um povo politeísta, cheio de idolatria e costumes que não condiziam com o Deus grande e poderoso. que pedia apenas fidelidade.

Abraão ao sair de sua terra, abre mão de tudo que tinha. De seus familiares, de tudo que acreditava, de tudo que tinha vivido, já que não era mais jovem. Abraão já havia construído raízes, tinha uma vida estabilizada, com esposa e bens. Mesmo assim, em um ato de extrema coragem e principalmente obediência (ponto chave da história de Abraão), Abraão deixa tudo e vai.

Aqui começa a funcionar o plano de Deus. Abraão, sem influência daqueles que convivia (politeísta), esta livre para começar uma nova história, agora vivida a luz de um Deus grande e forte, realizador de grandes feitos.

Após a primeira ordem cumprida (sai de sua terra), chegava  a hora de se fazer uma grande descendência de Abraão. Mais uma vez Abraão se via desamparado e desiludido, já que sua mulher Sara era estéril.

Mais uma vez Deus age por Abraão, através de Sara, sua esposa, que mesmo idosa e cansada, gerá um filho. Aí estava o fruto, que bastava amadurecer para se cumprir a promessa de Deus, em fazer sair de Abraão um grande povo.

Quando tudo parecia bem, Deus exige mais uma prova de Abraão, matar seu próprio filho.

Mas será que Deus queria apenas testar Abraão? Abraão já não se mostrará fiel a Deus anteriormente? Ora, se Abraão matasse seu filho, como ficaria a promessa de Deus?

É chegado agora o momento de nós, catequistas, entendermos o gênero literário narrado nessa história.

Deus não queria que Abraão matasse seu filho, isso não é novo para nenhum de nós. Deus queria sim provar a fidelidade de Abraão, mas mais que isso, Deus queria, mostrar duas coisas a Abraão. Que Ele é o Deus forte, que cria e faz, e que Ele é o Deus da vida e não da morte.

Esse relato também é necessário para entender a história e o pedido de Deus. Naquela época alguns reis tentavam introduzir/reintroduzir em Israel costumes das religiões pagãs, onde se sacrificavam o filho primogênito aos deuses pagãos. Deus ao mandar Abraão matar seu filho, prova a obediência de seu servo, mas também mostra ao mundo, que esse ato brutal é errado e que, Ele, o grande Deus, condenava tais atitudes, mais uma vez ratificando a idéia de uma Deus da vida.

Ao trabalharmos esse tema em nossos grupos temos que destacar, não o homem Abraão, mas a fidelidade e obediência incondicional, o Deus da vida, todo poderoso.

Ao contrário de outros temas como a Criação, não há grande simbologia implícita nessa história, mas há sim uma grande história de amor, fidelidade, obediência e vida.

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Recomendo aos interessados adquirirem o livro "Bíblia: Perguntas que o povo faz", um belo suporte para nós catequistas.

Abraços a todos

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